uma viagem no tempo

Publicado: 29 de abril de 2011 em Uncategorized

Sobre o 1o encontro  com o Lume – uma viagem no tempo

Por Paula Lopez

Uma fenda vertiginosa

Uma queda sem volta

“Fica no impulso

fica no impulso

…impulso

Mantenha o impulso

A imagem do impulso

A sensacão do impulso”

O vento…

Um fluxo…

Asas…  …sem filtro…

…asas sem filtro.

Uma viagem no tempo:

1997…

…eram quarto personagens.

Cada um seguia um fluxo, cada um tinha um impulso.

Do impulso partia um corpo, cada  impulso

uma corrente elétrica

uma vibração

e desta vibração

um grito

um choro

uma risada

de cada vibração

uma cor

um brilho

um lugar

um lugar no espaço

uma localização

e cada localização…

…sensações.

de cada localização

sensações diferentes

a psicogeografia do palco,

Quatro pontos,

quatro pontos cardeais:

ao Norte a filha

ao Sul o pai

a Leste a mae

a Oeste a puta.

A filha da cabeça

A mãe dos membros

O pai tortuoso

A puta do quadril.

A matriz veio da vibração.

Contrae,

Espreme,

A matriz veio de espremer

Espreme mais

Na imobilidade

Dava a impressão que se ia explodir por dentro

Dava a impressão de que se ia explodir!

Dava a impressão que nao se podia espremer mais

De repente um grito

Socorro!

Um grito:

Quero sair daqui!!!

De repente uma vibração…

Uma vibração começando no centro na barriga

No centro…

Subindo, descendo…

…uma gargalhada…

…voar os braços

…voar o corpo

…voar o ar

As asas que foram cortadas de repente

Batem invisíveis e imensas

levam pra cima e pra baixo o corpo,

Entendem o comando.

Voa pra direita pra esquerda…

E as asas batendo

As costas penduradas nas asas

E as asas pra cima

E as costas penduradas nas asas

E as costas penduradas por um  gancho

Voa voa voa…

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Questões do treinamento do OPOVOEMPÉ

Publicado: 29 de abril de 2011 em Uncategorized

 Depois da primeira sessão de treinamento com Lume, novas inquietações.

A tentativa : retomar o treinamento de Suzuki, nossa prática cotidiana durante anos e  recentemente desgastada por cansaço, intermitência e  por um  aparente esgotamento das perguntas.  Como se, em nó , a prática tivesse enrijecido, petrificado, mecanicizado. Uma cristalização mesclada a um excesso de força.

Método:  Experimentar a ativação de uma qualidade vibracional experimentada com Lume  antes de realizar o treinamento de Suzuki. Para isso, usamos os básicos 1 e 2, formas bastante precisas, e as estátuas livres, onde há a criação de imagens  pelos participantes.

Algumas perguntas e constatações:

– É possível acionar o vigor que o Suzuki requer sem perder a suavidade do trabalho de vibração?

– Como trabalhar outra forma de engajamento do centro, um “engajamento acolhedor” ?

– Foi preciso relembrar ao corpo  o “novo” antes  de transferir/aplicar para uma nova situação.

– Ativamos outros “lugares da ação”,  não-musculares.

– A imagem acontece de outro jeito, com outro sabor.

– Mudança na qualidade da tensão e na qualidade da leveza.

– O corpo é sustentado de outra forma. Os pés  no chão com suavidade. O centro flutua.

– Parece mais fácil realizar o treinamento.

Fica clara a  importância da construção da energia coletiva para o trabalho.  Há uma alquimia que acontece no espaço, muito concreta e muito conscientemente. A ativação  do corpo individual transborda os limtes do corpo e  se realiza no espaço coletivo da sala. A vibração está no espaço.

Transmutar: como trabalhar a partir do estado em que se está e chegar às formas precisas de Suzuki? Fundamental  a honestidade de se perceber. Investigar seu próprio estado ao extremo. nele já está proposto um tipo de equilíbrio, de tensão, de organização. Mergulhar, buscar o extremo do estado.

Por  Cristiane Zuan Esteves

A QUEBRA ou FÊNIX

Publicado: 24 de março de 2011 em Uncategorized

 Por Paula Possani

“Qualquer tempo é tempo

A hora mesma da morte

É hora de nascer.

Nenhum tempo é tempo

Bastante para a ciência

De ver, rever.

Tempo, contratempo

Anulam-se, mas o sonho

Resta, de viver.”

(Carlos Drummond de Andrade)

A QUEBRA ou FÊNIX  (sobre o primeiro encontro LUME e OPOVOEMPÉ juntos)

Quebram-se os padrões, dos tempos, dos horários, do ritmo de trabalho, da natureza do trabalho. Questiona-se os limites, do cansaço, da dedicação, do tamanho que podemos ter. Oferece-se a oportunidade de um mergulho.

Chacoalhão geral que possibilita o vasculhar de cantos obscuros, pouco antes iluminados, não tocados normalmente e abre-se pois a porta da descoberta de novos corpos, novos estados, novas potências, individual e coletivamente. Novas possibilidades de expressão e de um treinamento também pré-expressivo, embora incrivelmente expressivo!!!

Mas surge também a necessidade de entregar-se à perda. Do sentido já conhecido, dos lugares já habitados. Abandono. Morte. E imediatamente: Renascimento. Reconstrução.

Re-conhecer a si mesmo e aos companheiros. Apaixonar-se infinitas novas vezes pelas mesmas pessoas. Atualizar.

Paula Possani

Fala a atriz

Publicado: 23 de março de 2011 em Uncategorized

Fala a atriz

Em meu corpo, meu. Do espaço.  Vivendo.

Em ordem completamente aleatória

Respira respira

Dois estados de consciência, um que olha.

Instante 01  A surpresa de uma vibração emanando concretamente a partir do coração cada vez mais e mais forte. e  expandindo-se até as mãos, além das mãos, no espaço. O pensamento observa. Decido não fazer nada a partir da de uma decisão desta mente que pensa. Somente  permitir o fluxo do corpo e a vontade do corpo. Meus braços se erguem, vejo um carro que chega do outro lado da porta de vidro. Branco. Mantenho a vibração que se expande cada vez mais. Sinto que o motorista de dentro do carro  talvez me observe como eu observo de algum lugar meu próprio corpo que vibra , move-se, sem deslocar-se. Chega a seguir uma moça de bicicleta, que me olha. Eu a olho, mas continuo a vibrar, imóvel, observando-me olhar, algo em mim, (energia?) gira com as rodas da bicicleta que dá voltas  lá fora até sair do meu campo de visão.  A música cresce  e um pensamento do meu corpo começa a correr. Corro, corro corro corro até o carro branco, além do carro branco. Meu corpo imóvel vibrando. E  esse algo-pensamento-impulso-imagem em mim corre muito no espaço além de mim. Mas percebo… a porta do carro branco se abre, o motorista que não sai. E a corrida deste meu corpo invisível pára e recua.

Instante 02

Sentada

Sigo as instruções. Erguer o rosto.  Olhar para elas. E fazer um sutil movimento no rosto. Recupero  a vibração. Ergo os olhos e vejo Ana com olhos marejados.  Olhar a Ana abre minha boca. Minha boca se abre intensamente a partir de algo que chega dela. Um grito mudo, que é o grito que minha boca recebeu de algum lugar de Ana.  Eu somente deixei, mas não era meu. O impulso veio de fora e se realizou no meu corpo.

Fragmentos de pernas e abdomens

– Força nas pernas na musculatura interna da barriga, internos da barriga. Aquecimento. Dói. Eu vou mais. Continuo. Em algum instante percebo a oportunidade de manter a força na parte inferior do corpo e ao mesmo tempo expandir  todos os espaços que não participam do movimento.  Não fechar.  Não contrair. Usar a força oposta à contração do músculo para expandir o resto do corpo.

 – Caminhada na rua

A  atenção .

– Meu corpo está vazio, me mexo, mas é como se não tivesse nenhum órgão ou músculo em meu tronco. Estranho este esvaziamento. Não me agrada. Busco alguma sensação interna abaixo do meu diafragma. Nada.

– Meu corpo cheio. O abdômen em conflito como ali estivesse acontecendo uma guerra de forças em muitas direções,  opondo-se,  batendo-se. Um corpo em guerra.

Impressões  de Cristiane Zuan Esteves, escritas a partir do treinamento conduzido por  Renato Ferracini.

Relato de Alice

Publicado: 21 de março de 2011 em Uncategorized

Alice Possani generosamente assistiu às  nossas primeiras sessões de trabalho. Renato Ferracini conduziu o treinamento com OPOVOEMPÉ, das 5hoo às 9h00.  Segue relato onde Alice descreve esses amanheceres.

12.03.11 – Das 13hrs às 17hrs

Atrizes: Paula Possani, Cris, Paula, Ana Luíza, Manu, Grazi

Início: Renato situou o trabalho contextualizando-o na trajetória do Lume. A pergunta que originou e que continua em busca de ser respondida: como despertar / criar o tal leão dentro de nós?

Esse leão que “vibra”, que atrai o olhar, esse algo invisível porém perceptível.

– aquecimento individual: dez minutos pra cada uma alongar-se.

– aquecimento coletivo:

            em círculo, saltinhos verticais, 16,8,4,4,2,2,2,2,2…,1. Mudando frente, lado,   trás, lado.

            posição samurai

            um pé na frente do outro um pouco afastados, descer e subir lento, sem     parar embaixo

            duplas: segurando nos braços, peso ligeiramente pra trás, subir e descer    (agachar) lentamente (10x)

(aqui algo já começa a acontecer, olhares que se encontram, algo se passa dentro, bocas ligeiramente tensas, olhares intensos)

            duplas: idem anterior, com uma perna fora do chão, desce em um pé só

(aqui é evidente que a perna está cansada, e que estão pedindo das coxas mais – bem mais – do que estão acostumadas. Persistência, resistência.)

            agachamento lateral. em círculo, pulinhos e agacha de um lado (uma perna estica, outra dobra, mãos juntas na frente)

            duplas: uma deitada de barriga no chão, dobra perna na altura dos joelhos, noventa graus. Uma puxa pelos calcanhares pra trás, quem está deitada resiste. (um minuto) (depois 30 segundos, mais força menos tempo)

(respirações densas, rostos contraídos, determinação, sensação de sofrimento)

            duplas: uma deitada, barriga pra cima, pernas dobradas com pés tocando o chão. Uma segura as pernas da outra fechada, quem está deitada tenta abrir. (um minuto, 30 segundos)

            duplas: as duas sentadas uma de costas pra outra, quem está atrás “agarra” a outra com as pernas, tentando apertar

            pés afastados, oito na horizontal com o quadril. Lento, depois rápido, um lado e outro

            idem, com oito na vertical

            abdomem – posição 1: levanta cabeça e peito; posição 2: mantém, levanta    pés, próximos as chão; posição 3: levanta mais pernas e tronco, fazendo          com o corpo um V. (1,2,3,2,1,2,3,2,1…)

            duplas: abdominal com uma segurando os pés da outra. Subir e descer       lento, sem tranco. É melhor subir menos do que fazer aquele “golpe” pra   subir.

            idem, mas subindo por um lado e descendo por outro, fazendo um círculo

            duplas, uma deitada a outra em pé. Quem está em pé (com os pés ao lado   da cabeça da outra) joga os pés da outra pra baixo, quem está deitada s  egura nos pés da outra e sustenta as pernas na descida e sobe novamente.

            abdominal lateral: deitadas lateralmente, levantar o quadril apoiando o       corpo apenas nos pés e cotovelos.

            esfinge: 1 minuto

            ondulação frontal

            ondulação lateral: um lado e outro, primeiro o peso depois o resto, por      último pescoço. Pé que está sem peso descola do chão, fica só pontinha.

            relógio: corpo quase horizontal, sustentado pelos braços esticados e pés.   (parecido com esfinge). Frente, um lado, costas – com os dedos voltados            para o pé – outro lado.

            aranha: barriga pra baixo, tira o corpo do chão,  sustentado pelos dedos    da mão e pelos pés, pernas e braços afastados.

Fim do aquecimento.

Corpo no chão, barrigas pra cima. Solta corpo, deixa musculatura pesar no chão. Renato não deixa muito tempo deitado, poucos segundos. Aos poucos começa um lento espreguiçar, como se estivesse acordando. Grande, generoso, lento. Curtindo esse espreguiçar. Sons. Quando começa  a espreguiçar não pára mais de espreguiçar. Cada um no próprio tempo. Grande. Generoso. Pra fora. Até plano alto. Quadril, coluna, perna, rosto, língua. Contínuo, sem quebra. Até dinamizar. Mais rápido, ocupa o espaço. Todo mundo ocupando todo o espaço.

Mais dinâmico, mais rápido, Sem sons a partir daqui. Grita com o corpo.

Dar e receber. Dá pra um, pra outra, não fica muito tempo com ninguém.

Parou.

Continua dando, continua pelo espaço. Parado. Mais para o espaço. Vibra dentro. Vai explodir para o espaço. Cresce pra explodir. Explode. Pára. Prepara para explodir, explode grande e lento, mas dinâmico dentro, muito rápido dentro.

Renato coloca uma música mto rápida, elas devem continuar grandes e lentas. Maior. Mais lento. Música reflete o dentro.

Renato atento pra que circule, não travar nas mãos tensas. Parou. Cresce dentro. Parado. Tira a música. Explode rápido e pequeno. Parou. Continua rápido e pequeno dentro. Solta pelo olho, olha pro horizonte. Explode pequeno e tenso, pequeno e tenso, mas uma tensão que circula, não trava. Tensão que vai do pé à cabeça. Jogando pra fora pelo olho. Cada vez mais tenso, cada vez mais difícil mover-se, cada vez mais difícil fazer qualquer coisa, até o ponto de não conseguir mais mover-se, mais eu quero eu me esforço, mas eu não consigo, mais tenso, espreme, eu quero me mover mais eu não consigo. Força real com todo o meu corpo pra me mover mas não consigo. Espreme! Briga com vc mesmo. Espreme mais. Mais um pouquinho.

Fecha o olho. Espreme um pouco mais de olho fechado. Um pouco mais. Entra em vcs. Aos poucos, bem devagar, pela coluna vai conseguindo vencer. Ainda só a coluna. Coluna começa a vencer. Ainda devagar. Depois o quadril. E depois o resto. Sem medo. Ouvindo teu corpo e vendo aonde ele te leva. Vai pra onde vc quiser. Deixa mover. Sem erro. Sem medo. Tudo tá certo. Dança um pouco isso. É a minha dança. Só eu danço assim. Deixa reverberar para o corpo inteiro. Deixa ir pra coluna, deixa ir pro quadril. Deixa os impulsos virem. Sem medo. corpo inteiro. Não é teatro não é dança. Sou eu. Sem compromisso. Brinca com esse estado, brinca com vc mesmo.

Música. Não é pra dançar a música, ela é mais um estímulo.

Tira música. Mantém a mesma dança, mas menor no espaço. Quem está no chão tenta ficar em pé. Cada vez menor. Sutil, delicada mas que sai pelo olho. A mesma dança, menor. Joga pra fora com o olho. O resto é sutil. Circula dentro, vibra dentro. Acaricia o espaço com essa dança. Faz a pele dançar no espaço. Condensa a dança. Quanto menor, mais forte; quanto mais sutil mais potente.

Entra música bem densa. Só mais um estímulo. Vibra. Usa essa vibração interna que vcs descobriram espremendo. Cada um tem uma. Menor ainda. Cotidiana. Posição com os braços mais próximos ao corpo, escondendo mais e mais. Dança. Vibra dentro. É uma dança parada. Pra fora. Dança livremente aí dentro. (música bonita, piano) Dança livre, parada

(aqui as lágrimas me tomam)

Voem. Saltem. Pulem. Doem. Sejam generosos com o espaço. Nessa vibração. Dancem como vcs nunca dançaram. Sem mover.

(lágrimas que transbordam. Todas dançando, livres e belas. Muito belas. E paradas.)

Tirando a música. Continuem. Continuem dançando. O leão que a gente procura está mais ou menos por aí.

Cada uma no seu tempo, vai para o chão, deita. solta. Deixa o chão levar um pouco. 

INTERVALO

Renato: outras maneiras de “ligar”: trabalho com os “vetores”

Salto pra frente. Todas saltam algumas vezes. Depois impulso como se fosse saltar mas não salta. Depois só impulso, sem contra-impulso. Depois impulso e continua saltando (tudo sem ir com o corpo)

Idem com salto pra trás.

Idem com salto para o alto.

Idem com salto para baixo.

Salta pra frente, continua indo. Mantém. Salta pra trás, continua indo. Pra cima e pra baixo idem.

Desliga.

Liga novamente: frente, trás, alto, baixo.

Caminhar lentamente mantendo tudo.

Pelo espaço, ligar todos os vetores. Música, outra.

Caminhando lento, tentando abaixar, levantar, sempre pelos vetores. Se abaixo estou sendo puxada pelos vetores, e vice versa. Deixa sair pelo olho. Brincando com os vetores no tempo que dura a música.

13.03.11 – Das 5h às 9h, madrugada, todas menos Paula Possani que estava com o pé machucado

(aquecimento: vou descrever apenas os exercícios que foram diferentes de ontem)

pernas: uma deitada no chão com a cabeça próxima a parede, outra coloca o peso do corpo sobre os pés da outra. Exercício para as coxas, como se agachasse, descendo a outra sobre si e voltando.

idem com três pessoas: uma deitada, duas fazendo peso.

trios abdominal: uma faz a “mesa”, outra sentada por cima com pés travando na nuca da outra, a terceira cuidando.

posição bola: apoiadas sob os isquios, pés não tocam chão sustenta no abdomem. Dançar uma música inteira assim, explorando as possibilidades nesse lugar de sustentação.

+ – 6h40

espreguiçar: lento e denso desde o início. Denso que flui, tensão que circula, que percorre. Muito grande, muito tenso, muito lento. Como cada um entende o que é isso. Atenção às mãos, atenção para “circular”. Até o alto, e no alto dinamizar. Dinamizar hoje é diferente de ontem: circula mais essa tensão, dinamiza mais a tensão. O que significa dinamizar essa tensão? Mais dinâmico, mais tenso, mais circulação. A circulação amplia e isso dinamiza, acelera um pouco. Tem sempre um pouco de suavidade na mais tensa tensão e essa suavidade faz circular.

Para, e continua circulando. Não para, sustenta. Vibração na musculatura do osso. Explode para o que estava fazendo.

Para e continua vibrando. Cresce. cresce mais. Amplia a vibração interna, vibra mais.

Explode tenso e pequeno. Muito tenso, muito pequeno. Atenção pra não travar, sempre circular. Abre no peito. Explodir suavidade, mantendo tenso. Bombeia suavidade mantendo denso.

Música com duas linhas melódicas bem marcadas: base ritmada e grave, melodia suave que flutua.

Para, sem parar. Novamente explode suavidade mantendo densidade.

Para. Explode suavidade, mantém densidade, mas tudo bem pequeno. bem sutil, bem delicado. Quanto mais se abrir pra fora mais pra dentro de vcs vcs vão.

Sem música.

Para. Explode suavidade mantendo densidade, mas escondido. Vibração na musculatura do osso. Caminhar lento carregando esse vibração pelo espaço.

Qdo cruzar com uma das companheiras, olha. Dança com ela, e passa. Se a pessoa não estiver olhando pra vc não tem problema, vc dá e segue. Não precisa esperar nada em troca. Doar sem esperar receber.

Dançar música dentro, com música. 

(mais uma vez transbordamentos…)

INTERVALO – voltamos às 8h, uma hora de trabalho daqui até o fim

Espreguiçar muito suave. Atenção pq estamos cansados, já trabalhamos, fizemos intervalo, etc. Importante não se enganar, ativar uma suavidade de trabalho. Não é descanso, é trabalho com suavidade.

Espreguiçar lento, grande, suave. Na suavidade um fundinho de tensão, pra que ela fique ativa.

Lento, suave. Uma gotinha de tensão pra suavidade circular ativa. Tudo muito suave, muito solto. A única coisa que faço é não cair no chão. Explora esse lugar da suavidade, brinca com ele.

Para. Cresce. Crescer nesse estado significa mais suavidade. Circula.

Explode suave e pequeno.

Música.

Sempre pra fora, jogando pra fora isso. Pequeno, suave, pra fora. Fazer pra velhinha surda da última fila.

Para. (sem música)

Explodir tenso mantendo suave. Bombear tensão, mas continua suave.

Não tem certo e errado, todos estão certos.

Para. Explode tensão mantendo suave, mas pequeno. Bombeamento de tensão que chega suave na pele. Ir pra dentro quer dizer ir pra fora. Quanto mais fora vc vai, mais dentro vc fica, pq mais coisa entra.

Música mais animada.

Fazer menor não é diminuir, é condensar.

Sem música.

Paradas.

Bombear tensão mantendo suavidade, paradas, imóveis. Posição mais cotidiana.

Música alegre.

Mantem olhar, mantem jogando pra fora. Só sai pelo olhar.

Cresce.

“Ditado”:

Explode suavidade, mantendo tenso: grande, de uma vez (como estava antes do intervalo)

Segura

Explode tenso mantendo suave (o contrário de antes)

Segura, e novamente inverte (explode suave mantendo tenso)

Vivencia essas duas qualidades, essa duas vidas.

Explode tenso, mantem suave, pequeno

Explode suave, mantendo tenso, escondido, o mais cotidiano possível.

Passar de uma qualidade pra outra escondida, brincar com esses estados escondidos.

Ninguém sabe que eu estou dançando.

Muita energia num pote muito pequeno.

Somar esse trabalho com os vetores: manda pra frente, pra trás, pra cima, pra baixo, tudo isso que está vibrando.

(nada acontece e tudo acontece, de repente ganha brilho, como se a sala se iluminasse, como se elas de repente acordassem um brilho dentro de si)

Como se os vetores fossem os canais por onde a gente conduz tudo.

14.03.11 – das 5h às 9h

– corrida pelas ruas

– aquecimento mais rápido, e mais intenso

– pulinhos: 16 e cai na posição do samurai, quatro vezes; depois 8 e samurai, quatro vezes; idem com 4, 2, 1

– Duplas: de frente um para o outro, um segura as pernas do outro, que tenta abrir. Depois um na frente do outro, o de trás aperta o da frente, pressionando com as pernas.

– Em pé, de costas contra a parede. Um pé no chão, outro levanta e calcanhar pressiona parede

– abdominal: arado pra trás, voltar lentamente controlando abdomem / com joelhos flexionados tentar subir lento, sem tranco (se não consegue fica no “tentar”, não dar o tranco) / com o outro ajudando a segurar o pé: frente, lado, lado, frente

– pelo espaço: individualmente fazendo os oitos. Renato foi colocando músicas. A música como estímulo, ora junto, ora negando, sempre ouvindo. Brincar com tamanho, velocidade.

– depois o mesmo com a coluna: dançar só com a coluna

– olhos fechados: movimento com a primeira vértebra da coluna, cabeça. Pequeno, suave. Depois inclui a segunda vértebra. Depois a terceira, depois pescoço, depois peito, depois cintura, depois quadril.

Uma coluna, muitas vértebras.

Mais vértebras: ombro direito, joelho esquerdo, ombro esquerdo, joelho direito, braço direito, braço esquerdo, olhar, vértebra do espaço, vértebra do tempo.

Pelo espaço dançando uma coluna, muitas vértebras. Músicas variadas.

Somar tudo que somos hoje. Vértebra do cansaço, vértebra da dor, vértebra do sono, não brigar com nada, ser tudo. Tudo uma mesma vértebra.

Depois condensar espaço e tempo, depois condensar braços e pernas, depois quadril, tudo, menos olhar. Caminhar lento e pequeno com tudo condensado.

Depois soltar parte por parte, solta, relaxa, mas mantém algo, uma reverberação do trabalho. Processo de ir se desligando aos poucos, deixando reverberar.

INTERVALO

Exercício coletivo: em roda, todas com um som inicial que Renato passou. Aos poucos cada vez que alguém mudar alguma coisa, acrescentar algo, todos seguem e mudam. Todos sempre com o mesmo som. Pelo espaço, mantendo o jogo.

Brincar.

Trabalho individual, Cris e Paula.

 Uma fazendo, outras observando. Renato coloca uma música, a pessoa faz o que quiser. Depois todos comentam o que pode ajudar a outra a ir mais naquilo que ela estava se propondo. A pessoa refaz.

Matriz: é como uma nuvem, que vc pode dar a forma que quiser, condensar, espalhar. Matriz não é uma forma.

Dança pessoal é a dança das suas matrizes pessoais. Uma matriz mimética parte do outro pra chegar na criação dessa nuvem. A dança pessoal parte da investigação das suas próprias matrizes.

15.03.11 – das 5hrs às 9hrs

– pular corda

– pega pega, dentro e fora da sala

– cobra cega

– pular mureta: sobre e desce três vezes, de três maneiras diferentes

– pular mureta em dupla: se olham embaixo, sobem, se olham em cima, descem

– idem com duas duplas ao mesmo tempo

– círculo, todas próximas, abraçadas. Uma começa um som e um ritmo, todas seguem. Quando alguém muda algo todas seguem. Aos poucos vai crescendo, ganha espaço. Sempre seis, sempre juntas no mesmo jogo.

Bem diferente de ontem, hoje os inesperados fizeram parte, as coisas vinham e mudavam e viravam outra coisa porque tinha espaço.

Como instaurar o espaço do brincar? Do prazer, de se divertir com aquilo que eu faço, que o outro faz?

Ontem os elementos todos do exercício estavam: escuta, estavam juntas, mudando juntas, mas era como se estivessem “improvisando”, não brincando. Era ainda muito sério, e um pouco “preso”. Hoje estavam livres, eufóricas, rimos até chorar. 

Em determinado momento Renato pediu que parassem de fazer sons e colocassem tudo no corpo. Em seguida música.

– exercício de espreguiçar, dinamizar, ligar tudo um pouco mais rapidamente, e em seguida caminhar pela rua com tudo isso escondido, condensado, dançando dentro.

Espreguiçar, sons, bocejos. Não brigar com o corpo, aceitar como ele está hoje e trabalhar com isso.

Dinamizar com o outro, dando para o outro. Stops: explode, pára, explode, pára, explode, pára. Sozinhas, explodindo impulsos.

Mesmos impulsos, mas como se implodissem. Pequenos, mas intensos.

Mesmos impulsos, implosões, escondidos. Acelerando cada vez, como uma luz estroboscópica de impulsos escondidos.

Música: Chopin

Impulsos escondidos, sem se expor para o mundo lá fora.

Como circular na tensão e ir pra fora?

Como brincar na tensão, que seja prazeroso, mesmo que na densidade.

Caminhada pelas ruas de Barão.

No retorno, exercícios individuais.

Ana e Manu

(músculos da face e língua: nos levam pra lugares mais infantis, mais livres. Renato pediu que Ana parasse o corpo e dançasse com caretas “Não se reprima” e “Menina Veneno”). Depois escorre as caretas pro corpo, sempre lento e grande. Depois voltou pra música densa que tinha colocado na primeira parte. )

Manu: todas tentamos segurá-la no chão enquanto ela tentava escapar. Ficamos nisso um tempo, até que saímos e ela continuou tentando escapar.

16.03.11 – das 5hrs às 9hrs

– corrida na rua

– condensado de aquecimento: sem parar, passando de um para outro: posição de samurai, esfinge, abdominal de frente e de lado, flexão, sapinho, saltinhos, equilíbrio em um pé só., etc…

– sugestão do Rê: se quiserem trabalhar um certo tempo, montar um repertório musical com esse tempo, e trabalhar junto com as músicas.

– em pé, pelo espaço: oito com quadril (horizontal, vertical, trevo de quatro folhas) Brincando livre, com música

– idem com ondulações na coluna

– tudo pequeno e sensível (oitos, ondulações) “Vibra”

-exercícios individuais: Grazi e Paula Possani

A gente quer ver o que há de humano, em sua inteireza. Descobrir essa beleza, que vai além da beleza das formas. Descobrir essa humanidade e então sim, encontrar a beleza das formas atravessada pelo que somos, mesmo que a gente seja raiva, seja não saber, seja medo, seja sujo, seja feio. E é assim que somos belos. 

INTERVALO

Chão. Cada uma tem agora uma matriz, uma nuvem, uma qualidade, um estado pra ser trabalhado. Agora a idéia é de alguma maneira recriar aquele estado, não repetir, não tentar refazer, mas recriar. Buscar caminhos concretos para recriar. Já no espreguiçar vir trazendo o estado: se é pequeno, se é tenso, se é grande,  se é relaxado. Algo vem do que foi vivido, mas tem novas consequências, deixar espaço pra essas novas formas.

Diminuir, fazer o mesmo mas menor no espaço.

Até ficar bem pequeninho fora.

Termina no chão, deixa o chão levar.

Conversa:

Trabalho com a potência de cada um. Tanto a mudança de horário quanto os exercícios intensos ajudam a gente a chegar a alguns limites.

Não falar potencializa também. Condensa algo dentro, deixa uma vibração quando se olham, quando se encontram. Saber que estão vivendo coisas fortes juntas, mas sem falar sobre o assunto. Algo vibra.

Os caminhos são muito específicos, às vezes falar sobre pode atrapalhar, pode gerar expectativa, criar noção de certo e errado. Nada é certo, nada é errado. O “tudo pode”causa um problema para a pessoa. Liberdade por um lado, responsabilidade por outro.

No corpo é possível explodir suavidade com tensão, o corpo entende, embora pareça paradoxal.

Assumir o estado que vc está, qdo Renato indica pra trabalhar com o cansaço, pra não negar, não ficar brigando com o que vem. Isso gera potência, traz qualidade, traz prazer.

Inclusive em dia de espetáculo, como usar o estado que vc está naquele dia. Mantendo as marcas, as falas, mas deixar o estado do dia permear a forma macro. 

Importância da generosidade do condutor, o quanto a condução do Renato gera e permite essa confiança. Renato conduzindo sempre muito atento, muito presente, muito junto com elas.

Trabalhar junto. Sempre. Não sabemos nunca onde vai dar…

Grupo que trabalha junto a seis anos, importância de “tirar a poeira”, redescobrir um certo brilho.

Estar junto há um tempo: a gente se ama muito, e a gente se odeia muito.

Sutil e concreto.

Ver o que está acontecendo. Perceber o que a pessoa precisa. Ajudar a pessoa a chegar aonde ela precisa ir, como chegar lá.

Não ter medo do erro. Pois a condução muitas vezes não sabe onde vai chegar. Importante que sejam indicações concretas. Pode dar errado. Pode dar certo.