OS ENCONTROS – quando e onde

Publicado: 30 de agosto de 2011 em Uncategorized

Como ocorreu na prática essa troca.

Em dezembro de 2010 tivemos nossa primeira reunião, onde planejamos as agendas para abrir três semanas intensas de trabalho, duas com carga horária de meio período por cinco dias e uma, a terceira, com proposta de período integral. Definimos ai toda a agenda do projeto.

1˚ Semana: Março 2011 – das 5h às 9h. Renato Ferracini coordenou o trabalho apresentando princípios do Lume.

2˚ Semana: Maio 2011 – das 13:30h às 16:45h. Cris Esteves coordenou trabalho apresentando os princípios técnicos do OPOVOEMPÉ.

3˚ Semana: Julho 2011 – das 9:30h às 11:30 e das 13h30 às 16h45. LUME e OPOVOEMPÉ coordenando trocas e investigações.

A idéia era que, primeiramente, os grupos pudessem entrar em contato com os princípios de trabalho um do outro, para que no terceiro encontro houvesse a mistura de procedimentos dos dois grupos, como o previsto no projeto. Ainda reservamos mais dois dias de trabalho em agosto para ensaios da “apresentação final”, pouco antes de começar a semana Rumos em SP.

É com alegria que conto que foi justamente o previsto neste planejamento o que aconteceu. Ele foi fundamental para que todos pudessem mergulhar exclusivamente nas questões relativas à troca entre os grupos a cada semana dos encontros. As agendas ficaram exclusivas para o Rumos nas datas propostas e isso foi delicioso!

Por questões de logísticas fizemos todos os encontros em Barão Geraldo, na sede do Lume e os encontros aconteceram sempre na sala de ensaio, no espaço de trabalho e troca. Digo isso porque as questões todas que surgiram ao longo do projeto, vieram através da prática, do fazer cênico, elas só se fizeram necessárias quando a cena trouxe as diferenças e complementaridades entre os dois grupos. Isso foi riquíssimo!

por Manuela Afonso

Percebi que uma mecanicidade do viewpoits amoleceu, por experimentarmos fazer sessão com qualidades outras. Qualidades outras me refiro a estados. Numa, ou através de uma possivel matriz o ritmo não é o mesmo q o meu , Ana.
A resposta leva p outro lugar a escuta ou o que capto está sensível à outras recepções. Tenho preferido a matriz a mim mesma.

Despír se de história podendo a cada se segundo mudar de direção de gesto de móbil imobilidade de tom de plano, estar em estado de resposta ( quando ajo). Se deixar transformar mesmo na imobilidade não julgar mas responder livremente Se há repertório , ou partitura, ou um gesto ou palavra texto – acendem no estado de JOGO e RESPOSTA. Narrador neutro q nao interpreta – ele comunica. Traz algo ( um acontecimento ) Nao julgado. Tbm este “dito” , este comunicado pode ser transformado.se uma frase pontuações , repeticoes etc. E ou um gesto da mesma maneira Ex: gesto incorporado pelo grupo ou por um alguém distante q o mantém .

Cuidar na busca do neutro, do limpo, pq pode ser freqüente a recorrencia a um padrão acinzentado com ritmos e variabilidade conhecidos. Muito rico trabalhar com quem vive outras técnicas porque o tendencioso padrão (inconsciente)(preguicento)(adormecido, adormecente) dá uma trégua, de modo que em presença desperta aberta a criatividade ganha espaço, SEU espaço. óoootimo

que é diferente de um construido q contem intenções e então  há um passado há um futuro.
Como um parque, uma praça verde ampla cheia de bolas pink penduradas.
matriz me remete, do pouco que vivi um contato com as vísceras com sentimento.

não com idéia.

Ana Luiza

Leãaaao

O Mistério da Consignia

Publicado: 29 de agosto de 2011 em Uncategorized

O Mistério da Consignia

Depois de anos utilizando a palavra CONSÍGNIA dia após dia de trabalho, dei um Google. Consignía não parece fazer parte da língua portuguesa.  Se ela veio comigo, herança da França, sua justeza não me faz desejar substituí-la por nenhuma outra de meu modesto vocabulário.

Talvez sua força viva em mim impregnada da memória do rigor por vezes impiedoso dos professores da Ècole Jacques Lecoq, ou dos gritos retumbantes da mestra Mnchoukine ” ecoutez la consigne!”.  Mesmo se a despirmos de uma suposta autoridade sábia que a acompanha, é mister respeitar a consígnia. E aí vive todo seu mistério.

A tradução da palavra francesa consigne aparece nas páginas de dicionários como “ordens”  “instruções” ou até mesmo no sentido de  “guarda-volumes”.  Há uma tradução com que simpatizo “orientações ou pressupostos sobre determinado assunto ou atividade que devem ser seguidos para sua correta execução”.  Se bem que a palavra “correta” não se aplica à criação, que é nosso motivo para utilizar incessantemente esta palavra.

Utlizamos as consígnias para propor dinâmicas, estruturas de improvisação e, sobretudo, como itens na criação de composições.

Uma consígnia é o ponto de apoio de onde se pode dar o salto criativo.

É a regra do jogo e a proposição que possibilita o jogo.

Um regulador e um provocador de ações.

Segundo guias de pedagogia, as consígnias pertencem a duas grandes categorias:

-as que precedem um exercício e uma atividade, chamadas de enunciado ou diretiva.

– as que constituem o assunto de um discurso (guiado ou semi-guiado).

Quando as consígnias designam os itens que devem fazer parte de uma composição teatral, sua função é exercer uma diretiva livre, mas sobretudo elas servem à articulação de um discurso cênico. A prioridade que se dá a uma consígnia pode fazer dela o eixo de tensão de uma cena.  A articulação entre as várias consígnias acaba configurando a forma e o discurso da cena.

Uma consígnia desbaratada, inusitada, difícil  (mas com sua relativa pertinência) pode provocar grandes saltos não imaginados  anteriormente pelo criador que se vê obrigado a resolvê-la.

Nesta troca com o Lume, vi-me ambiciosa em minhas consígnias aos atores.  Os atores do Lume  trabalhavam em grupos com as atrizes do Opovoempé, acostumadas a receberem consígnias de composição ( e sempre entusiasmadas com elas).  Confiando na complementaridade das experiências de ambos os grupos, gradativamente aumentei o grau de dificuldade das propostas.  Em segredo, confesso que pensei inúmeras vezes “meu deus, como eles irão resolver isso?”. E foi fascinante, ver que montavam seus quebra-cabeças com alegria e cara-de-pau infinitas.  Desisti de meu caderninho de anotações para simplesmente embarcar no terreno fértil das imaginações em movimento. Ri muito. E me diverti a cada resolução inesperada, cada solução surpreendente. Saltos maiores que o previsto.

A restrição se apresentou como o caminho da liberdade. ( Cada vez mais acredito na arte que lida e libera as impossibilidades).

Neste momento do Rumos, sinto viver uma consígnia difícil: apresentar uma pesquisa que ainda está em movimento. Este salto só poderá ser dado conjuntamente pelos dois grupos num ato de risco e confiança. Que nós saibamos lidar bem com esta restrição, essa consígnia que a abrirá o guarda-volumes das nossas imaginações-  para o encontro com o outro.

 

por Cristiane Zuan Esteves

Construção de um vocabulário

Publicado: 26 de agosto de 2011 em Uncategorized

Acabo de chegar de Toga (Japão) direto para nosso terceiro encontro com o Lume.  Ainda me adaptando ao horário, escrevo essas linhas insones, para compartilhar a minha surpresa ao perceber como todos estavam falando a mesma língua com uma intimidade de casal.

Depois de passar 3 lindas semanas em um país em que a linguagem, a comunicação e as leituras tinham que ser reconstruídas e resignificadas por mim a cada instante, não pude deixar de notar esse fluxo que definitivamente adquirimos.

É impressionante a capacidade de adaptação que nós seres humanos temos. Como podemos descontruir algo simples e habitual como a forma com que se toma banho, e habilidosamente se adaptar e iniciar esse novo processo como se sempre estivesse lá. Acho que isso é o ancestral…

E foi assim foi também o encontro LUME, OPOVOEMPÉ. Desconstruímos e recosntruímos juntos novos alicerces. Criamos um vocabulário comum.  Uma mesma língua (verbal, corporal e espiritual) que foi forjada durante essa fantástica troca!

Apesar de achar que ainda falta muito trabalho para aprofudar o que tocamos/trocamos nesses encontros, saio desse ciclo (por que outros virão), com a certeza que criamos o nosso alfabeto. E espero poder criar nossa gramática. A gramática do Lume, Opovoempé, juntos.

Criamos um diálogo íntimo! Muito recheado de seriedade, respeito, humildade e o mais importante: carinho e diversão.

Agradeço do fundo do meu coração!

Obrigada por essa oportunidade… que todos possam se beneficiar!

por Graziela Mantoanelli

Registro Ana Luiza Leão

Publicado: 7 de julho de 2011 em Uncategorized

 Primeiro bloco
Primeiro encontro.
Lume nos conduz.
E na proposta está sair do padrão habitual, Assim, em acordo, acordávamos cedo: às 4h para iniciar trabalho às 5 da manhã. Até as 9 horas.

 

 

 

 

       

Tudo outro. Outro artemperaturacéucomidatempogentebanhocaminhocheiroambienteágua
(Minha cama era um Futon. Posso dizer – do futon ao tufon –
Mas um tufão suave e profundo!)

Vale falar sobre o estado anterior ao ínicio:
Disponibilidade (Não sabíamos o que ia acontecer) e a delicia da acordada entrega- por ser o LUME grupo que pesquisa há 25 e tantos anos o teatro, o ser humano, a vida, favorece. Estado este que se manteve. (e permanece )receptividade/entrega/disponibilidade, limpando a mente constantemente dos conceitos grudentos que prendem.
passados e futuros não tinham cabimento ali.                                                                           e se há, reciclagem com o que há.

Referencia válida de qualidade a ser mantida.

Condução no primeiro encontro Renato Ferracini

                                          +

   Alice    

 No Registro dos fatos: o fato de estar Alice Possani no olhar observador e de registro, abriu em mim espaço pra vivenciar integramente presentíssimamente o aquiagora, como se uma parte minha estivesse ocupada e muito bem representada por ela. Daí, Mergulhei na pesquisa, sem preocupação. Ela se ocupava e me despre ocupava do ‘ter e querer ‘ registrar ….  E  suas anotações depois compartilhadas, além da organização, clareza e objetividade, PÉROLAS sensíveis e pontuais. ( kkkkk)

Meus registros são livres. Descompromissados. Leves. ( as fotos não resisto, continuo qdo dá, fazendo) 

Do trabalho :  Acesso pelo Corpo músculo, força , coluna, bacia- redonda amacia. Este corpo tudo contém. Energia amplitude dança, fluência, energia, espaço, vôo o   o     o     Sem limites. Amplo. Sensação emoção acesso vibração. Leão. Aqui Registro de  impressão. INSTANTE DE FORTE VIBRAÇÃO – DEPOIS DE INTENSO TRABALHO em IMOBILIDADE EXPLOSÃO de TENSÃO.  (in) VOO. SALTOS GERUNDIOS – saltANDO Vetores explorados aqui grande descoberta. Livre. Direções.Passeei. Pelo teto chão, La fora arvores, céu, temperatura, sons, fluidissima ação, Energia, presença. VIBRANTE. VIVAS. 

Experimentar desta larga acolhedora ampla maneira o SER,

Validando escolhas, agradecendo encontro LUME OPOVOEMPÉ juntos, com as meninas que trabalho há 7  anos nos dá o PRESENTE de nos RECONHECERMOS, crescendo cada uma e somando a qualidade – o GRUPO.

SOU GRATA !

!!!

 

( já postarei o segundo e terceiro ENCONTROS !!!!! )( o terceiro esta acontecendo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Verticalizar – armadilha e delícia

Publicado: 24 de junho de 2011 em Uncategorized

Depois de alguns dias de treinamento de Viewpoints,  decidi dizer  “muito bem,  os princípios estão aí, mas agora façam isso de forma  neutra”.   Propor isso aos atores do Lume, mestres da criação de imagens e universos a partir dos próprios corpos, demandou uma certa coragem. Uma possível blasfêmia de minha parte. Um ato de generosidade e disponibilidade da parte deles.

A verdade é que isto os obrigou a visitar um outro lugar. E fez Opovoempé questionar os seus lugares .

A pesquisa do Lume – o ator  que em seu corpo cria estados,  associa significados, recria seres, figuras e singularidades-  encontrava-se pela primeira vez com a do Opovoempé –  o ator invísivel misturado aos pedestres, disponível a um coro urbano cotidiano,  que borra a hierarquia arte- público.

O que se revelava  no que acabamos  todos juntos chamando de ” neutro e recheio” -uma maneira não muito precisa de nomear nossos diferentes procedimentos e pontos de partida- era que o foco de pesquisa determina uma maneira específica de ir pra cena e vice -versa.

Nós, do Opovoempé, partimos de estruturas improvisacionais no espaço público. Era preciso estar disponível a ser transformado pelo outro, responder e adaptar-se –  o veículo da  Guerrilha Magnética é um ator que não se diferencia do que o rodeia- .  Quantas vezes eu não disse ” menos , menos, menos” ? Mas nós acabamos talvez sendo aprisionados pelo” menos” e resvalamos em   momentos no nada…  Fiquei bastante surpresa com a revelação das atrizes do OPOVOEMPÉ da dificuldade de  criar a partir de si… Como diretora, não havia pensado nisso. Trabalhamos nos nossos primeiros anos de treinamento com os ensinamentos de Lecoq que propõem um corpo vivo e com capacidade de transpor em si o mundo material e o conteúdo poético comum. Treinamos, mas não empregamos esta parte do treinamento na labuta diárias das criações… Por isso, creio que os corpos das atrizes não registraram esta via que sinto viva no meu corpo de atriz adormecida. Na busca da resposta, perdemos algum ponto do caminho…. Se o impulso da minha ação vem do outro, não posso tampouco anular minha escolha e percepção. Entender isso no corpo não é fácil.

Ao mesmo tempo, fica a certeza de que uma singularidade exacerbada  impediria nossa coralidade invisível.  Precisavamos e precisamos ainda ir pra rua com um corpo pedestre.  Só assim podemos criar o ato relacional  não-mediado que propomos.

PS. este texto continuará a ser editado, a reflexão ainda está trabalhando

por Cristiane Zuan Esteves

13 em sala

Publicado: 23 de maio de 2011 em Uncategorized

o primeiro contato de deu no silêncio

respiramos juntos

nos movimentamos juntos

partimos em busca de conexão e jogo

Eles vieram recheados de figuras, formas, até gestos.

Estados…

Nós, mais neutras.

Pudemos experimentar o solto imaginativo e agir e fazer.

 

Por Manuela Afonso – sensações pós ensaio.